Durante o Congresso Internacional de Livros Digitais Daisy realizado no inicio deste mês, em São Paulo, foi lançado o primeiro dicionário digital bilíngue - português-inglês e inglês-português -, em formato Daisy.
O projeto, uma parceria entre a Fundação Dorina e Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Estado de São Paulo, permitiu o desenvolvimento do dicionário e em uma ação pioneira, a distribuição de 600 exemplares para todas as bibliotecas públicas do Estado de São Paulo. Outros 400 exemplares serão distribuídos pela Secretaria aos postos do Acessa SP e escolas estaduais.
Os ampliadores de telas, como o próprio nome diz, fazem a ampliação de textos e imagens na tela do computador para facilitar a sua utilização pelos deficientes visuais com baixa visão, ou ainda, para pessoas que tenham algum tipo de dificuldade visual, inclusive as temporárias.
Os ampliadores de telas também são conhecidos como lupa, lente de aumento, zoom em telas e magnificadores (do inglês magnification).
Deficientes visuais com baixa visão se beneficiam desse tipo de programa para ter acesso aos computadores, já que, normalmente, seu resíduo visual não permite a visualização da tela do monitor no tamanho normal. A característica principal desse tipo de software é a ampliação da tela, mas há programas que oferecem um sintetizador de voz, que agregado à ampliação, tornam o trabalho na frente do computador menos cansativo aos usuários. Outros oferecem alto contraste, opções para o cursor do mouse e outras funcionalidades visuais para facilitar a localização e identificação de itens na tela.
Abaixo cito alguns ampliadores de telas conhecidos por mim e outros pesquisados na internet. Vale lembrar que essa lista não é de classificação e sim de ordenação, ou seja, meu intuito não é dizer qual é o melhor programa, mas apenas mostrar opções diferentes das já conhecidas pelos deficientes visuais.
A lente de aumento do Windows talvez seja o recurso de ampliação mais acessível aos usuários, já que o mesmo vem instalado por padrão em sistemas Windows. Ele é extremamente leve e não consome recursos do sistema, em compensação, possui poucas opções. Seus principais recursos são: nível de ampliação de até 9x, alto contraste eseguir foco do mouse e teclado. A qualidade da ampliação deixa a desejar quando o nível de zoom é grande, nesse caso ocorre pixelização (quando as letras ficam quadriculadas). No Windows 7, o recurso enfim, obteve melhorias e novas opções, mudando inclusive o nome para apenas" Lupa".
Ficha técnica: Versão: Não Informada Desenvolvedor: Microsoft Site Oficial: Não Informado Download: Instalado por padrão em sistemas Windows (localizado em Menu Iniciar – Todos os Programas – Acessórios - Acessibilidade)
2. Zoomit
Definitivamente os desenvolvedores do Zoomit não pensaram no programa como um recurso de acessibilidade para deficientes visuais com baixa visão. O foco do programa me parece estar em palestrantes e professores que usam apresentações em eventos, já que seus recursos, além da ampliação, são focados em marcações e anotações na tela. Mesmo assim, por ser um programa levíssimo e não precisar ser instalado no computador, o Zoomit pode ajudar na hora do aperto.
O MAGic é desenvolvido pela mesma empresa que desenvolve o leitor de telas JAWS, sendo considerado por muitos, o melhor ampliador de telas disponível no mercado. O MAGic possui um sintetizador de voz, o mesmo do JAWS, que lê de forma sintética o que está na tela. Uma espécie de forcinha auditiva para você não cansar muito as vistas. O ponto negativo é que ele pesa no seu sistema, deixando seu computador uma carroça. Outro problema do MAGic é o preço de sua licença. Custa...nem vou falar se não você vai parar de ler esse artigo!
O VMGP faz aquilo que promete: Amplia a tela e nada mais! Possui um menu intuitivo e de fácil configuração. A lupa acompanha o mouse e você pode definir o tamanho da área de ampliação. Outro ponto a favor do VMGP é o fato dele ser portátil, podendo ser levado num pendrive. O único problema desse programa é que toda vez que você clicar em algo a lupa irá sumir. Falha de usabilidade grave.
O Orca, além de ampliador, também é leitor de telas, o que facilita a vida de muita gente. Afinal parece ser inteligente unir em um só programa um ampliador e um leitor de telas. O Orca, diferentemente dos ampliadores citados até então, é desenvolvido para plataforma Linux. Assim como no artigo 5 leitores de telas para seu computador, vou indicar o uso do Orca nas seguintes distribuições Linux: Projeto Pendrive F123.orge Linux Acessível.org.
O Lightening Express tem a proposta de ser um ampliador de fácil utilização. Ele tenta ao máximo descomplicar a vida do usuário. Possui ampliação de até 6x, podendo resolver o caso daqueles que tenham um grau de dificuldade de visão pequena, alto contraste e opções visuais para o mouse. Apesar de eu ter um computador moderno, com placa de vídeo e memória de sobra, achei o programa um tanto quanto lento.
Este software é uma das soluções mais completas encontradas por mim durante minhas pesquisas para esse artigo. O Zoomtext possui vários recursos que facilitam a vida do usuário com baixa visão. Além de várias opções de ampliação, o programa oferece uma série de funções para configurar o contraste da tela, cores e tamanhos diferentes para o cursor do mouse e um sintetizador de voz. Nesse último quesito o Zoomtext parece ter integrado melhor o leitor de telas do que o MAGic, oferecendo uma integração entre ampliação e leitura bem inteligente. Ponto negativo: Preço caríssimo.
O Magical Glass é mais um ampliador da "família" gratuito e cumpridor naquilo que lhe é proposto. Pra quem gosta do estilo "lupa que acompanha o mouse" o programa é uma boa pedida. Não possui muitas funções e é bem fácil de configurá-lo, bastando para isso utilizar o teclado numérico (1 a 9) para ampliar, aumentar a área de zoom e ativar alto contraste. Mais fácil impossível.
Fácil de usar, leve e portátil, o DesktopZomm possui diversos modos de ampliação, controle de zoom, cores invertidas e alto contraste. O que chama a atenção é uma espécie de miniatura que fica no canto inferior da tela, mostrando ao usuário em que parte da tela ele se encontra. Muito útil esse recurso. O programa é perfeito para usuários com necessidades básicas de ampliação, porém achei a qualidade da ampliação horrível.
Assim como o Zoomit, descrito acima, o ZZoom não foi desenvolvido pensando na acessibilidade do deficiente visual com baixa visão, mas isso não nos impede de usarmos o programa para tal função. O ZZoom é leve e não precisa ser instaldo no computador. A área de ampliação do programa pode ser redimensionada ou fixada em um ponto específico da tela. O programa possui funções para capturar a cor por onde o cursor passa e capturar uma imagem da tela. Recursos ótimos para quem é Designer ou trabalha com edição de imagens.
Os leitores de telas são programas que, interagindo com o Sistema Operacional do computador, capturam toda e qualquer informação apresentada na forma de texto e a transforma em uma resposta falada utilizando um sintetizador de voz.
O leitor de telas “varre” os programas em busca de informações que podem ser lidas para o usuário, possibilitando a navegação por menus, janelas e textos presentes em praticamente qualquer aplicativo.
A navegação é feita através de um teclado comum, dispensando o uso do mouse na maior parte do tempo, e o áudio é emitido através da placa de som presente no computador.Nenhuma adaptação especial é necessária para que o programa funcione e possibilite a utilização do computador pelo deficiente visual. Deste modo, o usuário pode ouvir tudo o que está sendo mostrado, conforme navega pelo sistema e/ou utiliza os comandos do programa.
Nesse artigo irei falar de 5 leitores de telas existentes para seu computador. Lembrando que essa não é uma lista de classificação e sim uma lista de ordenação, portanto, o primeiro da lista não significa necessariamente que seja o melhor, mesmo porque o melhor leitor de telas é o que atende melhor suas necessidades.
O JAWS (Job Acess With Speech) é sem dúvida o principal leitor de telas do mercado. Desenvolvido pela Freedom Scientific o software é considerado por muitos o melhor e mais completo leitor de telas para plataforma Windows.
Atualmente na versão 12, o sofware permite aos usuários cegos ou com baixa visão acesso quase que total as principais funcionalidades do sistema, desde manipulação de pastas e arquivos, configuração e personalização do sistema, criação e edição de documentos no pacote de escritório Office, navegação em sites da internet, entre outras funcionalidades.
Desenvolvido em 1997 pela empresa Brasileira Micropower, o Virtual Vision, atualmente na versão 6.0, é o único leitor de telas totalmente desenvolvido no Brasil.
Esse leitor tupiniquim roda em ambiente Windows e é capaz de interagir com os principais programas normalmente utilizados em um computador, reconhecendo assim Word, Excel, Internet Explorer, Outlook, MSN, Skype, entre outros.
Desenvolvido pelo Núcleo de Computação Eletrônica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o DOSVOX não é apenas um leitor de telas e sim um Sistema Operacional completo rodando em ambiente Windows.
Grande parte das mensagens sonoras emitidas pelo DOSVOX é feita em voz humana gravada. Isso significa que ele é um sistema com baixo índice de estresse para o usuário, mesmo com uso prolongado. Talvez por isso o DOSVOX seja o leitor de telas mais indicado para crianças, jovens ou para um usuário que esteja começando a usar um computador.
Dentro do sistema você encontrará editor de texto, jogos de caráter didático e lúdico, programas para ajudar na educação de crianças com deficiência visual, entre outras tantas funcionalidades.
O NVDA (Non Visual Desktop Access ) é um leitor de telas gratuito e de código aberto, ou seja, é um software totalmente livre de custos, indo pela contramão do JAWS e Virtual Vision, onde o valor da licença é inacessível à grande parte da população.
O projeto foi iniciado em meados de 2006, pelo jovem australiano Michael Curran, mas ainda está um pouco aquém dos seus principais concorrentes comerciais nos quesitos de funcionalidades e interação com o sistema, no entanto o leitor está evoluindo a passos largos.
Uma característica que garante um grande diferencial ao NVDA é o fato dele não precisar ser instalado no sistema, podendo ser levado em um pendrive, cd ou qualquer outro disco removível.
Assim como o NVDA, o Orca também é um sofware gratuito e de código aberto. O diferencial aqui é que ele roda em Sistema Operacional Linux. O Orca além de leitor de telas é também um ampliador de telas, possibilitando ao deficiente visual a utilização de apenas um programa para tornar o sistema acessível.
Falando em sistema acessível, o Orca já vem instalado como recurso de acessibilidade padrão em algumas distribuições Linux, permitindo assim que o deficiente visual instale o sistema sem o auxílio de um vidente. Como o Linux possui muitas distribuições, sugiro aos interessados baixar a versão Linux Acessível.org ou o Projeto PenDrive F123.org.
Basta o toque dos dedos na tela para o sistema decodificar os códigos, criando letras, números e símbolos. O custo chega a ser 1/10 dos similares encontrados no mercado. E o recurso pode ser usado também em celulares.
"O projeto original era o de criar um aplicativo reconhecedor de caracteres, que iria usar a câmera de um dispositivo móvel --telefone ou tablet-- para transformar páginas em braille em texto legível", explica Duran.
Com a ajuda de seus mentores, Adrian Lew, professor-assistente de engenharia mecânica, e Sohan Dharmaraja, doutorando, Duran desenvolveu pesquisas e entrevistas com possíveis usuários, chegando à conclusão de que um escritor em tela touchscreen seria mais funcional.
A grande dificuldade, nesse caso, era a forma como os cegos localizariam as teclas na tela plana. Para isso, os cientistas criaram um recurso no qual basta tocar na tela e as próprias teclas se orientem na direção dos dedos.
Ao todo são oito teclas: seis para os caracteres, uma para deletar e um cursor. O sistema é reiniciado todas as vezes que os dedos são retirados totalmente da tela. Assim que o usuário começa a digitar, o programa reproduz, por meio do recurso de voz, todas as letras e palavras.
"Uma criação como essa não é apenas uma possibilidade de inclusão, mas também uma forma do deficiente se sentir pertencente ao mundo. A inclusão digital possibilita uma melhor qualidade de vida. Eles podem se comunicar, estudar e desfrutar da tecnologia não como um mero expectador, mas como um ser atuante", diz Denise de Paula Albuquerque, coordenadora do curso de Tecnologia Assistiva da Unesp (Universidade do Estado de São Paulo).
PROCESSO DE CRIAÇÃO
Um seleto grupo de estudantes de todas as partes do mundo passa dois meses em Stanford desenvolvendo criações tecnológicas inovadoras, a convite da Army High-Performance Computing Research Center. Eles participam de uma competição que vale prêmios e o reconhecimento dos professores da universidade.
Para desenvolver os projetos, alguns trabalham em grupos, outros sozinhos, mas todos contam com a ajuda de mentores. Adam Duran, aluno do último ano da New Mexico State Universe, venceu a disputa, apresentando a invenção acessível, inspirada pelo convívio com o seu tio cego.
Antes da chegada do estudante à universidade, em junho, os mentores Lew e Dharmaraja já tinham entrado em contato com o Gabinete de Educação Acessível de Stanford, cuja função é ajudar jovens cegos a ter acesso ao ensino superior.
"Imagine um cego em uma sala de aula. Como ele pode tomar notas? E quando precisar anotar um número e estiver na rua?", questiona Lew.
Em busca de uma solução para esses problemas, o trio notou que não precisava de um leitor, mas de um editor de textos.
No mercado, já existem dispositivos para escrever braille e enviar e-mails, mas todos são especializados para laptops e chegam a custar U$ 6.000, apresentando ainda funcionalidades limitadas.
"Atualmente, os cegos usam o teclado convencional do computador com o auxílio de leitores de tela, a maioria baixada gratuitamente da internet", esclarece Antonio Carlos Grandi, deficiente visual e diretor de Relações Institucionais da Fundação Dorina Nowill para cegos.
"O aplicativo para tablet é um ótimo recurso para quem é fluente em braille e precisa usar o iPad em uma palestra, por exemplo, na qual o uso do recurso de voz nem sempre é possível", completa.
TESTE DE QUALIDADE
A fim de testar a eficácia do aplicativo, a equipe estudou o braille. Em uma das demonstrações, Duran usou venda nos olhos, aproximou-se da tela touchscreen e digitou um endereço de e-mail, uma fórmula matemática e a equação química da fotossíntese, com a mesma facilidade de quem estivesse escrevendo um simples bilhete.
"A tecnologia para os deficientes visuais deve passar pelo processo que eu chamaria de mudança da cultura visual, no qual os inventores despertam a preocupação de entender como um cego poderia manipular o seu invento. E foi justamente isso o que aconteceu com a equipe de Duran", observa Denise.
Ainda existem obstáculos técnicos e jurídicos a serem resolvidos, mas a intenção dos cientistas é disponibilizar, o quanto antes, o escritor braille para tablet --uma opção com mais funcionalidade, rentável e portátil.
NO BRASIL
Equipamentos de escrita em braille ainda são caros no país. Como forma de incluir os cegos, principalmente na educação, outras possiblidades têm surgido. Na Fundação Dorina Nowill, os computadores convencionais com softwares de reconhecedores de caracteres são os equipamentos eletrônicos usados para escrever em sala de aula.
"Os nossos teclados não têm adaptação, apenas ensinamos o aluno a se posicionar e identificar as letras", explica Grandi.
Livros em braille estão sendo transformados pelo padrão internacional Daisy (Digital Acessible Information System). Essa ferramenta, disponibilizada pelo MEC (Ministério da Educação), é capaz de reverter qualquer texto impresso em narração. Desta forma, o usuário pode ouvir e até selecionar opções como sumário e índice.
Outra importante criação é o Slep (Scanner Leitor Portátil). Produzido pela empresa NNSolutions, parceira da UFBA (Universidade Federal da Bahia), possibilita ao usuário o acesso a textos impressos com a utilização de um celular compatível. Basta apontar a câmera para o texto e, em poucos segundos, o software lê a mensagem.
"O cego vai poder ler um cardápio, por exemplo. Imagine o tamanho do progresso que isso representa", afirma Teófilo Galvão Filho, professor do curso de pós-graduação da UFBA.